Infância é sinônimo de brincadeiras. Explorar o ambiente e os limites faz parte do processo de desenvolvimento humano. Escalar, correr, pular são atividades do cotidiano de uma infância saudável, embora possam acontecer acidentes durante essas atividades e, consequentemente, alguma fratura. Quando a criança é muito pequena, essas ocorrências inspiram ainda mais cuidado, porque a gravidade da lesão pode passar despercebida pela falta de uma comunicação mais clara. A Dra. Andréia Queiroz, ortopedista infantil do Hospital São Raimundo do Crato, dá orientações preciosas para pais, mães e cuidadores prevenirem e/ou procederem corretamente diante de uma fratura em criança. A unidade hospitalar é administrada pela Fundação Leandro Bezerra de Menezes e dispõe do serviço pediátrico.
As principais fraturas que acometem crianças são radial distal (próximo ao punho), antebraço, fratura de falange (ossos dos dedos das mãos ou pés), clavícula e fêmur. Essas fraturas acontecem, principalmente, durante atividades esportivas, quedas da própria altura e decorrentes de acidentes de trânsito. A Dra. Andréia explica que o comportamento do osso da criança pode ser diferente do osso do adulto, o que requer mais cuidado e atenção. “Diferente do adulto, o osso da criança tem uma matéria orgânica em maior quantidade, por isso é comum um tipo diferente de fratura, que são as fraturas incompletas, também chamadas de fratura em galho verde ou fratura em toro. Isso acontece quando um osso racha apenas de um lado. É semelhante à quebra de um galho de árvore nova”, explica.
Fraturas em bebês: como identificar e agir diante destes casos
A médica especialista explica que as fraturas em bebês são mais perigosas porque podem passar despercebidas. “A criança não vai saber localizar a dor e o adulto pode não conseguir identificar essa alteração. As fraturas em bebês podem, ainda, ser um indício de maus tratos. Isso deve ser um alerta para nós médicos”, orienta.
A Dra. Andréia diz que é preciso suspeitar quando a criança fica muito irritada tendo havido algum trauma (uma queda, uma pancada). “Se for percebido algum inchaço em algum local do corpo ou que aquela criança não está movimentando o braço ou a perninha, então a gente sempre orienta a procurar a emergência, de preferência o ortopedista, e radiografar aquele segmento ósseo porque pode acontecer realmente de ter uma fratura oculta”, alerta.
O que não fazer durante o período de uso do gesso ou tala
Após a constatação de uma fratura, o membro afetado é imobilizado com gesso ou tala. A Dra. Andréia enfatiza a importância de manter a imobilização intacta para garantir a correta cicatrização. “É essencial evitar molhar o gesso, trocá-lo sem orientação médica ou colocar objetos para coçar a pele, o que pode causar lesões e dificultar a avaliação do médico”, alerta.
Importância do acompanhamento com o especialista
A médica destaca também que o acompanhamento durante e depois do diagnóstico da fratura é essencial, principalmente para as crianças, pois pode acontecer alguma sequela e a percepção precoce do ortopedista é crucial para minimizar estes danos. “Muitos acham que a criança é um mini adulto, mas não: elas têm suas peculiaridades. Principalmente, tem que enfatizar a questão do acompanhamento. Como a criança está em crescimento, pode ter sequelas pós-fraturas, como alguma deformidade angular ou parada de crescimento. Isso a gente vai observar durante o crescimento daquela criança. Caso aconteça alguma dessas complicações, a gente consegue flagrar de forma precoce e intervir, tentando diminuir os riscos de alguma consequência futura”, ressalta.