Esse movimento coincide com abalos na campanha do PSL nos últimos dias, após uma denúncia de fraude eleitoral no WhatsApp e uma fala polêmica do seu filho, Eduardo Bolsonaro, sobre fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) caso a candidatura do pai seja anulada. Haddad também tem adotado uma retórica mais agressiva contra Bolsonaro e reforçado as andanças pelo Nordeste, incluindo o Ceará (na última sexta e sábado), região considerada o maior reduto do ex-presidente Lula e que impediu a vitória de Bolsonaro no último dia 7.
A pesquisa ouviu 3.010 eleitores em 208 municípios durante três dias (do último domingo até ontem). Outro dado pesquisado é a chamada “expectativa de vitória”, independente da intenção de voto do entrevistado. Para 69%, Bolsonaro vence no domingo, enquanto 21% apostam em Haddad. No levantamento anterior, a expectativa de vitória no militar era menor (66%). O petista aparecia com 21%, igual índice da nova pesquisa. Haddad conseguiu diminuir a rejeição (de 47% para 41%), enquanto a taxa de Bolsonaro subiu de 35% para 40%.
Estratégias
Nesta última semana de campanha eleitoral, Haddad tem apostado em críticas contundentes ao adversário, após a divulgação na quinta-feira de uma denúncia de que um grupo de empresários torrou R$ 12 milhões para difundir mentiras sobre Haddad e o PT em notícias falsas no WhatsApp.
Ontem, Haddad atacou o general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, de torturador, atribuindo a informação ao compositor Geraldo Azevedo, que desmentiu ter dito isso. A fala de Haddad foi dada em sabatina no Rio: “Bolsonaro nunca teve nenhuma importância no Exército, mas o Mourão foi, ele próprio, torturador (...) O Geraldo Azevedo falou isso. Ver um ditador como eminência parda de uma figura como Bolsonaro deveria causar temor em todos os brasileiros minimamente comprometido com o estado democrático de direito”.
Já Bolsonaro investe no antipetismo, martelando os casos de corrupção nas gestões petistas. Ele também repete promessas de medidas duras contra a violência e de defesa da família tradicional, e tenta convencer o eleitor de que caso o PT volte ao poder, o Brasil corre o risco de virar uma Venezuela, país em grave crise.
Bolsonaro promete ainda acabar com o “coitadismo” de alguns movimentos sociais. “Isso não pode continuar existindo. Tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitada da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense”, disse em entrevista a uma TV do Piauí.
(DN)