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| Foto: Assessoria da Câmara Municipal de Curitiba |
A vereadora de Curitiba Vanda de Assis (PT) protocolou, na quinta-feira, 6, uma representação formal na Câmara Municipal de Curitiba contra a vereadora Tathiana Guzella (PL). Vanda é cearense e denunciou ser vitima de xenofobia na sessão plenária da última quarta-feira, 5, quando a colega de casa declarou: "Por que não volta ao Ceará? Vem encher o saco aqui", durante uma discussão no plenário.
Em entrevista ao O POVO, Vanda disse que além da representação na Câmara e de pedido de cassação da outra parlamentar, ela também entrou com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) e em breve entraria com representação na Justiça por dano moral, afirmando buscar a resolução em todas as "esferas".
Segundo a vereadora, não é a primeira vez que um episódio desse tipo ocorre na Câmara da capital paranaense. Recorrentemente, alguns colegas de casa "se referem de forma muito pejorativa a pessoas pobres e a pessoas migrantes", explicou.
Ainda que tenha feito o pedido de cassação junto à Casa, ela acredita que a ação não terá efeito imediato. A maior expectativa é que o Ministério Público intervenha em seu favor.
"Que ela (Tathiana) tenha oportunidade de refletir sobre o papel de um parlamentar, de uma delegada e de uma pessoa. Ela não pode fazer isso nem enquanto pessoa, que xenofobia é crime, ela não pode fazer. E ela sendo delegada licenciada não convém. E sendo parlamentar menos ainda. Com outra parlamentar menos ainda. Então ela cometeu um crime gravíssimo.", disse.
Indignação
Sobre o episódio a vereadora nascida no Ceará declarou que o ocorrido "foi desagradável, mas ao mesmo tempo foi uma indignação que senti no papel de responder à altura. Eu transformei aquilo em uma reação de boa defesa", relembra Vanda.
Ela comentou, durante a entrevista, que em nenhum momento Tathiana tentou entrar em contato ou pedir desculpas pelo ocorrido. Ambas continuaram na sessão após o ocorrido.
Para Vanda, a ofensa não foi direcionada somente a ela como parlamentar, mas a todos os outros migrantes que residem na cidade. "Uma ofensa que é muito além de sua, é para com os seus iguais. Para mim foi como estar ofendendo o meu povo, estar ofendendo a todos os outros migrantes que moram nessa cidade".
TrajetóriaMoradora de Curitiba há 31 anos, Antonia Vandecia de Assis de 51 anos, nasceu em Campo Sales, no Ceará e foi para o Paraná em busca de melhores condições de estudo e trabalho.
Assistente social formanda, Vanda esteve no meio politico desde sua juventude e participado de pastorais sociais em sua cidade natal. "Entendi que aquilo que eu vinha fazendo ao longo de duas décadas era político e só faltava concorrer em pleitos eleitorais", declarou ao justificar a entrada na política.
Em 2019, ela decidiu entrar na vida pública e no ano seguinte, concorreu pela primeira vez ao cargo de vereadora da cidade, mas não foi eleita. Já em 2024, Vanda conseguiu se eleger para uma vaga na Câmara de Curitiba, sendo eleita a primeira vereadora de origem nordestina na capital do Paraná.
"É muito significativa para mim e para outras nordestinas e nordestinas que estão aqui, com quem eu me relaciono, com quem eu convivo, porque os que vieram muito antes de mim para cá, já trabalharam muito, já fizeram muita luta e já sofreram muitos constrangimentos também", afirmou.Atualmente, Vanda concorre ao cargo de deputada estadual no estado do Paraná, pelo Partido dos Trabalhadores.
(João Victor Dummar/O Povo)


























