Pesquisadores da Faculdade de Veterinária (Favet) da Universidade Estadual do Ceará (Uece) tiveram um projeto aprovado na Chamada Pública MCTI/CNPq nº 02/2026, do Programa de Cooperação Latino-Americana e Caribenha em Ciência, Tecnologia e Inovação – PROSUL Pepe Mujica. A iniciativa busca desenvolver modelos de produção de ovinos e caprinos mais resistentes às mudanças climáticas, com foco na melhoria da produtividade, dos resultados financeiros para os criadores e da sustentabilidade ambiental da atividade.
Intitulado “Rede de pesquisa Brasil-Uruguay-Argentina sobre o uso de modelos sinérgicos no avanço da produção de pequenos ruminantes resiliente às mudanças climáticas”, o projeto é coordenado pelo professor do curso de Medicina Veterinária da Uece, Davide Rondina, que é também cientista-chefe da Agropecuária do Ceará, e conta com a participação dos professores Dárcio Ítalo Alves Teixeira e Ana Paula Rodrigues Ribeiro, vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias (PPGCV) da Uece.
A proposta prevê a formação de uma rede de cooperação científica e acadêmica entre instituições dos três países. No Brasil, participam pesquisadores e instituições das regiões Nordeste, Norte e Sul. A colaboração internacional permitirá reunir conhecimentos e desenvolver estudos voltados à adaptação dos sistemas de criação de ovelhas e cabras aos impactos das mudanças climáticas.
De acordo com o coordenador, professor Davide Rondina, o desafio é produzir informações que contribuam para a adoção de práticas capazes de aumentar a resistência dos sistemas de criação aos efeitos das mudanças climáticas, favorecer a captura de carbono e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Para isso, a pesquisa investigará aspectos relacionados à epigenética, ao metabolismo, ao comportamento e à reprodução dos pequenos ruminantes.
Em termos práticos, os estudos buscam compreender como esses fatores podem contribuir para melhorar a adaptação dos animais às condições climáticas e tornar os sistemas de produção mais eficientes.
Sustentabilidade e benefícios para os produtores
Os resultados esperados poderão fornecer dados e conhecimentos científicos para o planejamento de ações e a definição de medidas voltadas à melhoria do desempenho ambiental da ovinocaprinocultura, atividade dedicada à criação de ovinos e caprinos.
A expectativa é que os conhecimentos produzidos também contribuam para a sustentabilidade socioeconômica de toda a cadeia produtiva, conciliando melhores resultados para os criadores com práticas ambientalmente mais sustentáveis.
Cooperação internacional
Além da relevância científica e produtiva, o projeto fortalece a internacionalização da pós-graduação da Uece. A professora Ana Paula Rodrigues Ribeiro, pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa e integrante da equipe de pesquisadores, destaca a importância da articulação entre os três países para ampliar a cooperação acadêmica e científica. A instituição executora da proposta é a Uece, por meio do Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias, que possui nota 7 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a mais alta da escala de avaliação dos programas de pós-graduação.
No Brasil, a rede também reúne instituições como a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO). Na Argentina, participam instituições de pesquisa agropecuária e florestal, enquanto o Uruguai integra a iniciativa por meio da Universidad de la República.