Encontro realizado no Teatro Chico Anysio reuniu juventudes de diferentes bairros da Capital, movimentos políticos, lideranças comunitárias e representantes estudantis.
O deputado estadual Moisés Braz (PT) participou de um encontro com jovens de diferentes bairros de Fortaleza, realizado no Teatro Chico Anysio. Em formato de bate-papo, a atividade abriu espaço para perguntas sobre os principais desafios enfrentados pela juventude, como trabalho e renda, violência, saúde mental, educação e qualificação profissional.
Organizado pelo movimento Juventude com MB, representado por Hellen Moreira e Maria Luiza Gomes, o encontro foi apresentado por Romário Luz e Joyce Izabella. Participaram jovens da Granja Lisboa, Bom Jardim, Pirambu, Barra do Ceará e Jardim Jatobá, além de integrantes da Juventude do PT e da Juventude Barreira.
A atividade também contou com a presença do vereador Rodolfo Saldanha; da diretora de Esportes Universitários da União Nacional dos Estudantes (UNE), Victoria Ramalho; do presidente estadual da Juventude Socialista Brasileira (JSB), Daniel Oliveira; do conselheiro tutelar Júnior Periferia; e das lideranças Marcelo Martins e Iara do Sopão, entre outros representantes de movimentos sociais e comunitários.
A programação teve ainda uma apresentação cultural do Maracatu Solar, comandada pelo artista Pingo de Fortaleza, valorizando a cultura popular e a expressão artística da juventude cearense. O rapper Daniel Nabru também fez uma participação especial.
Diálogo direto com as juventudes
Durante o encontro, Moisés Braz apresentou sua trajetória de vida, marcada pela agricultura familiar, pelo movimento sindical e pela atuação parlamentar, e destacou a importância de construir políticas públicas a partir da escuta dos próprios jovens.
O deputado defendeu que a política precisa estar voltada para a garantia de direitos e para a criação de perspectivas concretas de futuro.
“A centralidade da política é trabalhar para gerar oportunidades, garantir dignidade e assegurar que os direitos sejam respeitados. Precisamos colocar os interesses da juventude e o respeito à diversidade no centro desse debate”, afirmou.
Moisés também ressaltou que os jovens das periferias enfrentam dificuldades que vão além da ausência de emprego. Segundo ele, é necessário articular educação, formação profissional, cultura, esporte, empreendedorismo e geração de renda.
“Para que a juventude tenha um projeto de futuro, precisamos garantir qualificação, cursos, capacitação, formação técnica e oportunidades de trabalho e empreendedorismo. Muitos jovens são marginalizados e criminalizados justamente pela falta de oportunidades”, declarou.
Prevenção à violência exige oportunidades
Ao responder a uma pergunta sobre violência e criminalidade, Moisés defendeu que o enfrentamento ao problema não pode ficar restrito ao policiamento. Para ele, o poder público precisa investir na prevenção e ocupar os territórios com políticas sociais.
“Temos que criar espaços de ocupação para a juventude. Precisamos cuidar desde a infância e a adolescência, garantir escola adequada, qualificação e oportunidades para evitar que esses jovens sejam empurrados para o mundo do crime”, explicou.
O parlamentar também defendeu mais formação para os profissionais da segurança pública, especialmente para que saibam lidar com adolescentes e jovens nos bairros periféricos.
“A formação, a qualificação e o estudo são fundamentais. O Estado precisa se responsabilizar por preparar quem atua na segurança para proteger a juventude e tratar cada situação com respeito”, acrescentou.
Saúde mental mais próxima das comunidades
A saúde mental foi outro tema de destaque. Os jovens relataram dificuldades para conseguir atendimento psicológico e psiquiátrico, além das longas filas e da distância entre os serviços especializados e as comunidades.
Moisés alertou para o preconceito que ainda cerca problemas como ansiedade, depressão, estresse e outros transtornos enfrentados pela juventude.
“Muitas vezes, quando um jovem está com algum problema, ainda aparece alguém na família, na escola ou na sociedade dizendo que ele não quer estudar, que é preguiçoso ou que está inventando alguma coisa. Isso é não respeitar verdadeiramente a condição daquela pessoa e o que ela está sentindo”, afirmou.
Como caminho para mudar essa realidade, o deputado defendeu maior integração entre as escolas, as famílias e a rede pública de saúde, com profissionais atuando mais perto dos territórios.
“Quem vai acompanhar esse jovem — seja psicólogo, psiquiatra ou outro profissional — precisa estar o mais próximo possível da comunidade. Temos que levar o atendimento para perto de quem precisa, em vez de obrigar o paciente a percorrer um caminho difícil e muitas vezes nem encontrar o profissional”, destacou.
Ao final, Moisés agradeceu a participação dos jovens e reforçou que as contribuições apresentadas durante o encontro deverão ajudar na construção de uma plataforma de propostas para os próximos quatro anos.
“Quero agradecer pelo apoio e, principalmente, pela presença de vocês, ajudando a construir propostas e uma plataforma para os próximos quatro anos. É ouvindo a juventude que podemos construir políticas públicas mais próximas da realidade”, concluiu.




















