Em entrevista ao jornalista João Hilário, da Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE), o presidente apresentou investimentos federais que transformam a segurança hídrica em política de Estado e garantem mais dignidade à população. Para Lula, a convivência com a seca não pode significar que comunidades inteiras sejam condenadas à falta de água para beber, produzir ou realizar atividades básicas.
“Nós estamos próximos de terminar, na minha opinião, o maior conjunto de obras hídricas já feitas na história desse país”, disse. “Eu sempre botei na cabeça que a falta de chuva é um fenômeno da natureza. Agora, as pessoas sofrerem por conta dela é demonstração da incapacidade das pessoas que governaram esse país”.
OBRAS – A estratégia de segurança hídrica combina grandes obras de infraestrutura com iniciativas voltadas diretamente às comunidades. No Ceará, a integração das águas do São Francisco se conecta a sistemas estaduais de distribuição e armazenamento, ampliando a capacidade de abastecimento de municípios e a capacidade de produção agrícola.
Entre as obras, está o Ramal do Salgado, que integra o Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco. Com 35 quilômetros de extensão, levará água do Ramal do Apodi ao rio Salgado, um dos principais afluentes do Jaguaribe, conectando as águas do São Francisco ao açude Castanhão, maior reservatório do Ceará. Com impacto estimado em 54 municípios e cerca de 5 milhões de pessoas, a obra amplia a integração hídrica do estado e reforça a segurança do abastecimento, inclusive na Região Metropolitana de Fortaleza.
“Se você tem água em outros lugares, você pode transportar água como se você transportasse qualquer coisa. E eu tenho orgulho de ter tomado a decisão de fazer a transposição do São Francisco”, afirmou o presidente.
ÁGUA PARA PRODUZIR – Lula também ressaltou que a segurança hídrica não se resume ao abastecimento de grandes cidades. A oferta regular de água cria condições para que pequenos produtores permaneçam no campo, produzam alimentos e tenham fonte de renda.
“Uma das razões pelas quais a gente fez a transposição era favorecer os pequenos produtores rurais. Aquela pessoa que tem dez hectares, oito, cinco. Essas pessoas que plantam para sobreviver, mas também plantam para vender”, frisou.
No Ceará, o Projeto Malha D’Água amplia a estratégia ao criar uma rede de sistemas adutores para captar água de mananciais estratégicos, tratar e distribuir para cidades e distritos. O primeiro sistema, no Sertão Central, tem 688 quilômetros de extensão e atende nove municípios e 38 distritos, com capacidade para beneficiar cerca de 280 mil pessoas. Quando concluído, terá 33 sistemas adutores e deverá alcançar 178 municípios e 697 distritos: mais de 5,5 milhões de cearenses.
Outra frente é o Programa Água Doce, coordenado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, que leva água própria para consumo humano a comunidades do semiárido por meio da dessalinização de águas subterrâneas salobras. No Ceará, são 277 sistemas instalados em 49 municípios, beneficiando 277 comunidades, com R$ 69,8 milhões investidos. Entre 2023 e 2026, a iniciativa contemplou 13 municípios e 4.524 famílias.
DIGNIDADE – Ao recordar a própria infância no Nordeste, o presidente relatou as dificuldades enfrentadas por famílias que dependiam de açudes para obter água. “Eu lembro que quando eu tinha seis anos de idade, a gente ia no açude pegar água e naquela água estava lá a vaca fazendo cocô, o cabrito fazendo xixi, e a gente ia pegar aquela água para levar para casa para beber, cheia de barro. Eu vivi isso na infância, então dar decência às pessoas é o mínimo que a gente pode fazer”.
CHUVEIRO – O presidente destacou que o acesso à água muda a vida das famílias para além das necessidades de consumo. “Enquanto o velho Chico, abençoado por Deus, estiver oferecendo água ao povo do Nordeste, ninguém vai morrer por causa da falta d’água. E não é só água para beber ou plantar, é água para as pessoas tomarem banho de chuveiro. Tem gente que nunca tomou banho de chuveiro, nunca lavou o prato na pia, nunca lavou a roupa em um tanque ou uma máquina”.
CINTURÃO – Na entrevista, Lula também citou diretamente Juazeiro do Norte e o papel do Cinturão das Águas para reforçar o abastecimento da região do Cariri. O conjunto de obras busca ampliar a capacidade de armazenamento, transporte e distribuição da água no estado, reduzindo a vulnerabilidade provocada pelos períodos de estiagem. “Não é só fazer a água chegar onde precisa, é fazer manter o Rio São Francisco perene, cada vez com mais capacidade de armazenamento de água. Isso temos condições de fazer e estamos fazendo”, concluiu.























